Quercus quer que os portugueses possam saber a cada mês para que fins é usada a água armazenada nas barragens

Associação pede à Agência Portuguesa do Ambiente dados mensais públicos mais detalhados
sobre a gestão e monitorização das albufeiras
As intempéries ocorridas em Portugal provocaram graves danos a muitos portugueses,
com os quais a Quercus está solidária. No entanto, a sequência anómala de tempestades
que assolou o país proporcionou também uma acumulação de riqueza hídrica nas
barragens nacionais, que estão atualmente nos seus níveis máximos de armazenamento
de água.
Este é um facto absolutamente extraordinário num país que tem sido crescentemente
vulnerável à escassez de água. Por isso, é fundamental garantir aos portugueses que
esta abundância hídrica é utilizada de forma eficiente.
Para tal, a Quercus insta a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a ir mais além da
informação disponibilizada no portal oficial https://infoagua.apambiente.pt/pt/seca
sobre a monitorização das albufeiras, passando a tornar públicos, com uma
periodicidade mensal, os seguintes elementos adicionais:
1. Duração prevista do armazenamento de água: projetar e anunciar qual o período
temporal assegurado pelas disponibilidades hídricas, em meses ou anos, para fazer face
a situações de seca extrema (mesmo não chovendo);
2. Percentagem de água utilizada por setor e por barragem, complementando os
boletins semanais e a informação no portal Info Água com os seguintes dados
adicionais:

  • Água utilizada para consumo humano em cada barragem;
  • Água utilizada para a indústria em cada barragem;
  • Água utilizada para a agricultura em cada barragem, de modo a responder às
    necessidades de rega mesmo em épocas de seca extrema;
  • Água utilizada para a produção de energia hidroelétrica em cada barragem:
    enquanto principais beneficiárias das cheias recentes (produção de energia hídrica
    aumentou 17,8% desde o início do ano), as empresas produtoras de energia podem
    e devem contribuir para o fundo público de apoio a futuras catástrofes já
    anunciado pelo Governo, através de uma sobretaxa correspondente a uma
    percentagem dos lucros extraordinários desta atividade.

A disponibilização pública e periódica desta informação é, para a Quercus, uma
oportunidade única para:

  • Verificar e fiscalizar os consumos e usos de todos os setores, bem como as suas
    ineficiências setoriais;
  • Aferir as potenciais perdas ambientais e económicas por não medição;
  • Contabilizar as potenciais perdas indevidas de receitas;
  • Identificar oportunidades de melhoria e todos os elementos necessários para se
    efetuar uma gestão eficiente da água em Portugal;
  • Garantir transparência na gestão de um bem essencial ao país, assegurando que a
    monitorização pormenorizada dos seus usos por barragem é pública.
  • A Presidente da Quercus, Alexandra Azevedo, lança mesmo o desafio à APA “para
    reativar o Conselho Nacional da Água, parado há 3 anos, com a marcação de um plenário com
    especialistas, com caráter de urgência, para ser discutida a gestão da água em Portugal”.

Fonte: Quercus