“Bordando Inquietudes”: design e ativismo transformam os Lenços de Namorados na Biblioteca Municipal
A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, em Vila Verde, acolheu este sábado a inauguração da exposição “Bordando Inquietudes: do amor romântico ao design ativista”. A mostra, desenvolvida pelos alunos da Unidade Curricular de Metodologia do Design Gráfico II, do 1.º ano da Licenciatura em Design Gráfico da Escola Superior de Design do IPCA, apresenta mais de 20 projetos que desafiam e discutem a ideia do amor.
A Presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, felicitou os alunos pelas “excelentes reflexões”, sublinhando que estes trabalhos são fundamentais para responder ao desafio do que fazer com o património antigo. Para a autarca, estas visões sobre os diferentes tipos de amor são “extraordinárias para combater discursos de ódio e lançar mensagens de paz e solidariedade”, reforçando a responsabilidade de passar este testemunho às gerações futuras.
Sob a orientação dos professores Susana Dias e Manuel Granja, em parceria com a Aliança Artesanal, os estudantes foram desafiados a usar o legado dos Lenços de Namorados como suporte para mensagens. Segundo a professora Susana Dias, o objetivo foi dar aos alunos um “ingrediente” extra, o património, para que pudessem refletir sobre o amor nas suas várias vertentes: social, própria, animal ou até tóxica.
O projeto, que resultou inclusivamente num artigo científico, permitiu ensinar os fundamentos do design gráfico através do respeito pela cultura, mas com a ousadia de ver o lenço sob uma perspetiva de ativismo.
As “inquietudes” apresentadas atravessam temas complexos. O grupo do aluno Tiago focou-se no amor aos animais e na hipocrisia do consumo; já o grupo de Ágata explorou o amor próprio e a rigidez dos padrões de beleza, utilizando o bordado como uma representação das “cicatrizes” deixadas pelas inseguranças no corpo.
Numa vertente mais social, Diana e Ana Sofia desenvolveram um projeto que enaltece o trabalho das artesãs, alertando para a precariedade das condições de trabalho com o mote “o amor não paga rendas”. Por outro lado, Joana Martins e Lucas Teixeira exploraram a herança familiar, utilizando o rosto como o maior símbolo do património e do amor que atravessa gerações, tal como os lenços fizeram.
O impacto académico do projeto foi também sublinhado por Miriam Zanini, cujo doutoramento aprofunda esta temática, e pelo vereador do Município de Vila Verde Manuel Lopes, que manifestou orgulho em ver os símbolos tradicionais transformados em mensagens desafiantes.
A exposição, que conta com o apoio do Município de Vila Verde, estará patente na Biblioteca Municipal até ao dia 18 de março, para ver e refletir de forma gratuita.


