O Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) recebeu ontem a gravação ao vivo do podcast Lei da Paridade, do jornal Expresso, numa sessão que encheu o auditório e reuniu estudantes, docentes, colaboradores e público externo. Integrado nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, o encontro deu lugar a uma conversa participada e informal sobre igualdade de género, representatividade e poder.
Em palco estiveram as comentadoras e autoras do podcast, Maria Castello Branco e Adriana Cardoso, com participação virtual de Leonor Rosas, num programa que contou também com a intervenção da Presidente do IPCA, Alexandra Malheiro.
Ao longo da sessão, Maria Castello Branco e Adriana Cardoso explicaram de forma clara e acessível por que razão continua a fazer sentido assinalar o Dia Internacional da Mulher e manter no debate público temas como as quotas ou a paridade. Defenderam que a presença de mais mulheres em cargos de poder político, económico e mediático continua a ser determinante para garantir que questões que lhes dizem diretamente respeito não sejam discutidas ou decididas exclusivamente por homens.
As autoras sublinharam também a importância do exemplo e da visibilidade, sobretudo para as gerações mais jovens, para que meninas e jovens possam ver-se representadas na política e no espaço mediático.
O próprio Lei da Paridade foi apresentado como um exemplo dessa presença feminina no espaço mediático: um programa de análise política feito por três mulheres jovens — algo ainda raro no panorama nacional. Durante a conversa foram abordados temas que raramente têm espaço regular no debate público, como o acesso à interrupção voluntária da gravidez, lembrando que continuam a existir regiões do país onde as mulheres enfrentam dificuldades reais para exercer esse direito.
Durante a conversa, a Presidente do IPCA destacou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nestas matérias. Em 2022, a instituição aprovou o seu Plano de Ação para a Igualdade de Género, um instrumento estratégico que estrutura políticas e medidas destinadas a promover maior equilíbrio e igualdade no contexto académico.
Entre as iniciativas em curso, a Presidente sublinhou o esforço para aumentar a participação feminina em áreas tradicionalmente mais masculinizadas, como as engenharias e alguns Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP). Nesse âmbito, destacou a criação das Bolsas Mulheres+, um incentivo destinado a atrair mais estudantes do sexo feminino para áreas STEAM e contribuir para reduzir as desigualdades de género nesses domínios.
A sessão ficou ainda marcada pela forte participação do público. A plateia, composta maioritariamente por estudantes, colocou várias questões às convidadas, prolongando o debate sobre igualdade no mercado de trabalho, participação política e representação feminina.
Entre argumentos, exemplos concretos e gargalhadas, o encontro mostrou como é possível discutir temas exigentes num ambiente aberto e próximo, estimulando o pensamento crítico e o envolvimento da comunidade académica e da sociedade.


