O dia 31 de agosto de 2026 em Barcelos, coincide com o 98º aniversário de elevação a cidade, tem o propósito de se tornar um dia festivo para o atual executivo camarário pela inauguração das obras de “requalificação do mercado municipal”. Não, não pode ser um motivo de celebração triunfalista, nem o apagar da memória dos erros sucessivamente cometidos que transformaram a obra em “chacota” da política local como um atestado de incompetência de gestão pública.
Para nos situarmos no contexto real dos factos, recordemos alguns dados do projeto que foi aprovado em 2018. Data de início da obra – fevereiro de 2020; prazo de execução – 18 meses (concluir até agosto de 2021); custo orçamentado – 1,9 milhões €
Prazo real de execução - 6 anos (conclusão agosto de 2026); custo total final – 3,7 milhões €; acresce o constante alargamento do arrendamento das instalações do mercado provisório com um custo direto superior a 162 000 €
Quem paga estes custos diretos da derrapagem? E o custo indireto para a economia local com perdas de faturação dos comerciantes e destruição de valor no comércio tradicional? E quem tem de ser responsabilizado pelo aluguer do exíguo e inadequado espaço provisório, mesmo que corrigido, e bem, com a deslocação parcial para o campo da feira?
Acresce dizer que durante todo este tempo não foi dada qualquer explicação aos pequenos vendedores, que suportaram as intempéries e agruras climáticas – ora com frio e chuva, ora com calor e sol inclemente -, sobre as razões dos sucessivos atrasos da obra. O atual executivo limitou-se a afirmações esporádicas, depois de questionado e nunca por iniciativa própria, com desculpas inconsistentes em modo clichê, como - erros de projeto que obrigaram a empreitadas corretivas; imprevistos técnicos que implicaram mudanças de materiais ou de forma ainda mais evasiva - falhas técnicas específicas. O que deveria ter sido uma intervenção planeada e célere transformou-se numa duradoura novela de atrasos, com a recusa permanente de assunção de responsabilidades e de resposta à notória incapacidade de fiscalizar, gerir e decidir com eficácia.
Passada toda esta longa fila de espera, que levou a muitas desistências por falta de expetativa na resolução da obra, comerciantes e pequenos agricultores que vendem os seus produtos locais, estão agora com novos receios. Com toda a falta de condições inerentes a uma venda a céu aberto em pleno campo da feira, a verdade é que têm clientela assegurada porque é fácil estacionar e fazer as compras na proximidade. O mercado municipal está no centro da cidade com os problemas inerentes à falta de estacionamento, ainda para mais coberto de parquímetros, pode implicar o aumento de fuga de potencial clientela para as grandes superfícies comerciais das redondezas.
Importa também referir que comerciantes e produtores agrícolas, nunca foram convocados para darem sugestões ou manifestarem opinião, como modo de envolvencia prática enquanto parceiros diretamente interessados na adequada ocupação dos diferentes espaços. Aliás, diga-se em abono da verdade, que só há dias é que foram chamados para tomarem conhecimento do resultado final das obras e dos respetivos lugares de venda.
O atual executivo camarário nunca teve a preocupação de explicar aos barcelenses as razões do prolongamento das obras, mesmo quando questionado pelo BE nas reuniões de Assembleia Municipal foi sempre evasivo nas respostas, nem de informar a população sobre a funcionalidade do espaço e a disposição dos diferentes setores de atividade. O que deveria ser uma obra participada e democraticamente debatida para uma melhor funcionalidade em benefício coletivo, é um enigma circunscrito ao conhecimento dos entendidos!
Por todos estes factos é que o Bloco de Esquerda considera que fazer da inauguração desta obra uma cerimónia de gala e pomposa é um insulto aos barcelenses, é uma afronta para com uma população que tanto esperou, é um ato oportunista que visa aplausos e aproveitamento político.
O BE Barcelos não confunde a importância desta obra com a incompetência de quem a geriu. Congratulamo-nos por finalmente reabrir uma infraestrutura tão marcante na cidade, mas não esquecemos os disparates cometidos, o tempo decorrido sem acesso, o custo exorbitante e descontrolado – sobre os valores apontados exigiremos total escrutínio sobre o derrapado nesta empreitada. Barcelos merece respeito, merece planeamento e merece uma liderança que assuma responsabilidades.